Segundo LEFFA e ANDRADE o carvão mineral é um
combustível fóssil não renovável utilizado no mundo inteiro como fonte de
energia elétrica, sendo assim fundamental para a economia mundial, entretanto a
mineração é uma atividade com alto potencial de poluição ambiental. No processo
de beneficiamento desse minério para sua comercialização, originam-se como
subprodutos grandes quantidades de rejeitos carboníferos. (1)
Assim
como toda exploração de recurso natural, a atividade de
mineração provoca impactos no meio ambiente seja no que diz respeito
à exploração de áreas naturais ou mesmo na geração de resíduos.
Os principais impactos ambientais decorrentes dessa atividade são:
a) desmatamentos e queimadas; b) alteração nos aspectos qualitativos e no regime
hidrológico dos cursos de água; c) queima de mercúrio metálico ao ar livre; d)
desencadeamento dos processos erosivos; e) mortalidade da ictiofauna; f) fuga
de animais silvestres; g) poluição química provocada pelo mercúrio metálico na
hidrosfera, biosfera e na atmosfera (IPT, 1992). (2)
A poluição hídrica causada pela drenagem ácida é provavelmente o
impacto mais significativo das operações de mineração e beneficiamento do
carvão mineral. Essa poluição decorre da infiltração da água de chuva sobre dos
rejeitos gerados nas atividades de lavra e beneficiamento, que alcançam os
corpos hídricos superficiais e/ou subterrâneos. Essas águas adquirem baixos
valores de pH (< 3), altos valores de ferro total, sulfato total e vários
outros elementos tóxicos que impedem a sua utilização para qualquer uso e
destroem a flora e a fauna aquática (IBAMA, 2006).
Foi feito um estudo realizado em Rio Carvão
Alto, no município de Urussanga/SC, por Alecsandro Schardosim Klein, Vanilde
Citadini-Zanette, Rosana Peporine Lopes e Robson dos Santos, entitulado
“Regeneração natural em área degradada pela mineração de carvão em Santa
Catarina, Brasil”, publicado em 2009.
Segundo os autores, este estudo permitiu verificar espécies podem desenvolver-se em áreas degradadas pela mineração de
carvão, servindo como suporte para estudos de recuperação ambiental no sul de
Santa Catarina. Outrossim, possibilitou identificar fatores responsáveis pela
facilitação da regeneração natural nessa área..(1)
Segundo Dias (1998), o pH ideal para a
nutrição das plantas situa-se entre 5,6 e 6,2. Na área de estudo, as espécies
vegetais estão se desenvolvendo em substrato com pH muito ácido (entre 3,5 e
4,3) e com teores de matéria orgânica muito baixos (entre 0,7% e 3,7%),
sugerindo que essas espécies têm a capacidade de se adaptarem às condições
extremas, podendo, portanto, serem utilizadas na recuperação de áreas
degradadas pela mineração de carvão a céu aberto. (3)
A forte degradação da paisagem causada pela mineração, além de trazer consequências com as citadas a cima, acaba-se por induzir uma seleção natural da flora terrestre local. Algumas espécies apesar do grande impacto ambiental decorrente da poluição da água, solo e ar por parte da mineração ainda sobrevive no local.
A forte degradação da paisagem causada pela mineração, além de trazer consequências com as citadas a cima, acaba-se por induzir uma seleção natural da flora terrestre local. Algumas espécies apesar do grande impacto ambiental decorrente da poluição da água, solo e ar por parte da mineração ainda sobrevive no local.
Assim, apesar de ser um importante recurso
energético, a extração, o beneficiamento e a utilização de carvão mineral são
atividades potencialmente poluidoras (GAIVIZZO; VIDOR; TEDESCO, 2002) .(1)
Os metais pesados podem ser encontrados em
todos os compartimentos do ecossistema, nunca se esgotam e sempre existiram no
planeta. São oriundos de fontes naturais e/ou antrópicas como intemperismo de
rochas, deposição atmosférica,lançamentos
de efluentes urbanos, industriais e agrícolas, além da lixiviação de
resíduos contaminados, sendo a mineração e a purificação de minérios dois dos
grandes causadores da sua disseminação mundial (PASCALICCHIO, 2002). (1)
Esses elementos-traço em altas concentrações
no meio ambiente constituem um grave problema ambiental devido aos seus efeitos
nocivos nos organismos, como alta toxicidade, capacidade de bioacumulação e
potencialidade de induzir danos ao material genético, genotoxicidade,
mutagenicidade e carcinogenicidade, que têm sido atribuídos aos metais pesados
em humanos e/ouanimais de laboratório (AGOSTINI & WAJNTAL, 1993; PARAÍBA,
2006; PRÁ et al.,2006; SÁNCHEZ-CHARDI et al., 2008). (1)
Os metais pesados presentes no carvão e nos
seus subprodutos podem agir por vias distintas, sendo elas: inibição do sistema
de reparo, inibição das defesas antioxidantes, ativação da sinalização mitótica
e modulação da expressão gênica, que podem geram como produto final a
carcinogenicidade. (LEFFA e ANDRADE, 2009). (1)
Esses materiais possuem uma mistura
heterogênea de compostos orgânicos e inorgânicos, entre os quais estão os
metais pesados que podem modificar a molécula de DNA de forma nociva,
acarretando em carcinogenicidade. (1)
A genotoxicidade está relacionada ao potencial
que agentes físicos ou químicos possuem de induzir mutações em células
somáticas, ou naquelas que podem ser transmitidas a gerações futuras (SILVA et
al., 2000b). Devido aos componentes do carvão e de seus subprodutos, o carvão
passa a ser alvo crescente de pesquisas relacionadas à mutagênese. (1)
REFERENCIAS:
(1) – LEFFA, D. D.; ANDRADE, V. M. POTENCIAL
GENOTÓXICO DE METAIS EM ÁREAS MINERADAS DE CARVÃO. Revista de Pesquisa e Extensão em Saúde, Vol. 4, Nº 1. UNESC: 2008.
Disponível em:
(2)- MINERAÇÃO E MEIO AMBIENTE NO BRASIL ,
Disponível em: http://www.em.ufop.br/ceamb/petamb/cariboost_files/miner_c3_a7_c3_a3o_20e_20meio_20ambiente.pdf
(3) - KLEIN, A. S.; CITADINI-ZANETTE, V.; LOPES,
R. P.; SANTOS, R. Regeneração natural em área degradada pela mineração de
carvão em Santa Catarina, Brasil. R. Esc. Minas, Ouro Preto, 62(3): 297-304,
jul. set. 2009.
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