quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Aterro Sanitário


 
 
 



O consumo cotidiano de produtos industrializados e descartáveis é responsável pela contínua e crescente produção de lixo. Essa produção é tão grande que não é possível conceber uma cidade sem considerar a problemática gerada pelos resíduos sólidos, desde a etapa da geração, até a disposição final. Segundo estatisticas em cidades brasileiras, geralmente esses resíduos são destinados a céu aberto, (IBGE, 2006). A industrialização, o consumo e o lixo são questões que estão intimamente ligadas, pois toda produção industrial tem como objetivo o consumo, que mesmo sem querer acarreta em algum momento o descarte e a transformação da matéria em lixo. A superexploração desordenada dos recursos naturais vem causando o esgotamento dos mesmos, o consumo crescente e o desperdício contrapõem as práticas de desenvolvimento de uma sociedade sustentável. (MANDARINO, 2002, p. 213)
Entre os impactos ambientais negativos que podem ser originados a partir do lixo gerado, esta o acondicionamento final inadequado, isso pode provocar, entre outras coisas, contaminação de corpos d'água, assoreamento, enchentes, proliferação de vetores transmissores de doenças. E ainda a poluição visual, mau cheiro e contaminação do ambiente.
Todas as formas de destinação de resíduos sólidos causam algum tipo de impacto ao meio ambiente, sabemos que isso é inevitável, porém uma das formas que quando realizada corretamente de acordo com a legislação reduz esse impacto, é o aterro sanitário.
Aterro sanitário segundo IPT (2000) é um processo utilizado para a disposição de resíduos sólidos embasado em critérios de engenharia e normas operacionais específicas, que permite a confinação segura em termos de controle de poluição e proteção à saúde publica.
De acordo com LIMA (1985) o aterro sanitário possui inúmeras vantagens, entre elas esta a disposição de lixo adequada, capacidade de absorção diária de grande quantidade de resíduos, limitação da procriação de vetores, entres outras.
 
Um aterro sanitário dentro das normas e da legislação compõe-se basicamente assim:
·                    Sistema de revestimento: separa o lixo e o chorume subsequente do lençol freático, o solo é devidamente impermeabilizado com uma grossa camada de plástico resistente, além de que antes da colocação do plástico o solo é compactado para que não corra risco de contaminação ou vazamento para lençóis freáticos;
                       ·   Células (velhas e novas): onde o lixo é armazenado dentro do aterro; São as pirâmides com as camadas de resíduo solido compactado, quando uma célula atinge sua capacidade máxima de armazenamento de lixo, é aberta então uma nova;
                     ·         Sistema de drenagem da água da chuva: coleta a água da chuva que cai no aterro;
                 ·         Sistema coletor de chorume: coleta a água infiltrada através do próprio aterro e contém substâncias contaminantes (lixiviação), Pelo sistema hidráulico a água infiltra-se através das células e do solo no aterro. Ao se infiltrar pelo lixo, a água carrega contaminantes (produtos químicos orgânicos e inorgânicos, metais, resíduos biológicos da decomposição). Essa água com os contaminantes dissolvidos é chamada de chorume. Para a coleta da chorume, canos atravessam todo o aterro. Esses canos drenam o líquido e levam o material para um tanque coletor de chorume. Ele passa entao por uma pré-captação em drenos e conduzido a tanques de equalização para reter os metais pesados e homogeneizar o efluente, em seguida deve ser conduzido à lagoa anaeróbica onde bactérias vão atacar a parte orgânica, provocando a biodegradação. Um importante passo, é o tratamento anaeróbico, e em seguida ser descartado, minimizando os danos ao meio ambiente.Na última etapa, a decantação, é onde há formação de lodo. Esse lodo vai para o leito de secagem, que possui um filtro de areia. Depois de seco, o lodo (compostagem) retornará para o aterro. O chorume, já pré-tratado, é lançado no rio em um córrego.
            ·         Sistema coletor de metano: coleta o gás metano que é formado durante a decomposição do lixo, e existe a queima desse todos os dias para que não haja explosão, pois o metano é um gas altamente inflamável.
             ·         Cobertura ou tampa: lacra o topo do aterro, e são plantadas gramíneas para ajudar a fixar.



                No município de URUSSANGA-SC, disposição incorreta de resíduos vinha acontecendo desde a década de 80, sem obedecer nenhum critério técnico, o que acarreta em vários problemas ambientais e de saúde publica, pois os resultantes da decomposição do lixo estavam dispostos a céu aberto, e não existia nenhuma proteção do solo para não contaminar os lençóis freáticos.
Na década de 90 iniciou-se a atividade de cobertura dos resíduos 3 a 4 vezes por semana pela prefeitura municipal de Urussanga, os resíduos de municípios vizinhos eram também depositados ali. Porem ainda assim não existia nenhum tipo de preparação para esse acondicionamento.
Visto a necessidade de uma medida, para diminuir este problema, o aterro sanitário foi então construído na cidade de Urussanga-Sc, e depois de uma serie de pesquisas, escolheram a localidade de Rio América, devido a critérios ambientais, como profundidade de lençóis freáticos, os tipos de vegetação presentes no local, e saúde pública, como a distancia das casas devido ao mal cheiro e a possiveis contaminações.
  Quem realizou a contrução do aterro foi o Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos Urbanos (CIRSURES), são amazenados no aterro, resíduos vindos dos municípios de Urussanga, Cocal do Sul, Morro da Fumaça, Orleans, Lauro Muller e Treviso.
O aterro sanitário funciona na cidade desde o ano de 2004.

 


Consequências ecologicas da implantação do Aterro Sanitario.
 
Assim como qualquer ação antropica, existe algumas consequencias na construção de um aterro sanitario.
O líquido proveniente da decomposição do lixo, depois de tratado é jogado no rio, e esse liquido o chorume é rico em substâncias orgânicas, e quando em grande quantidade pode mudar completamente a cadeia naquele local.
Devido a grande quantidade de materia organica pode acontecer o que chamamos de eutrofização, que é o fenômeno causado pelo excesso de nutrientes, onde há o aumento excessivo de algas. Estas, promovem o desenvolvimento dos consumidores primários, e eventualmente de outros elementos da teia alimentar nesse ecossistema.
Este aumento da biomassa pode haver a diminuição do oxigênio dissolvido provocando a morte e consequentemente a decomposição de muitos organismos, diminuindo a qualidade da água e eventualmente a alteração profunda do ecossistema. Mudanças no aspecto reprodutivo também acontecem, pois haverá superpopulação de espécies e consequentemente afastamento de outras.
Se não houver constante monitoramento, o chorume pode vazar através de pontos fracos na cobertura e vir à superfície e contaminar o solo e os lençóis freaticos nas proximidades do vazamento.
Um grande problema de instalar um novo aterro é que conduzirá à perda irreversível da vegetação existente no local. Na Fauna, na fase de construção será a atividade de desmatamento e decapagem que darão origem aos impactos negativos mais significativos. Assim, no que diz respeito à fauna preveem-se na fase de construção, efeitos negativos, diretos e permanentes, devidos à perda de eventuais locais de nidificação/reprodução das espécies que ocorrem na área, decorrentes das atividades de desmatamento, decapagem, limpeza do terreno, movimentação de terras, abertura e pavimentação de vias de acesso e construção das células.
Podemos ainda levantar como hipótese, fundamentando nas teorias já criadas, a possível evolução causada por um aterro sanitário.
Como o ambiente em que é construído um aterro sanitário, é totalmente modificado e existem ali varias espécies, levantamos a hipótese de seleção natural, pois segundo Darwin, características favoráveis que são hereditárias tornam-se mais comuns em gerações sucessivas de uma população de organismos que se reproduzem, e que características desfavoráveis que são hereditárias tornam-se menos comuns. Portanto em um aterro sanitário precisa existir a adaptação das espécies as condições impostas a eles como o mau cheiro, a falta de vegetação e a rica matéria orgânica, os ruidos decorrentes de caminhões e outros processo reaalizados, e isso resulta em seleção natural onde o mais adaptado ao meio sobrevive.
Se analizarmos as teorias conseguimos evidenciar a possivel evolução, porem vale lembrar que é uma teoria, so teremos certeza se desenvolvermos algum estudo especifico na área, e também um processo evolutivo demora muitos anos para acontecer. 

 



Referencias:

 

ASSOCIAÇÃO BRAZILEIRA DE NORMAS TECNICAS. Apresentação de projetos de aterro sanitario de resíduos sólidos urbanos. Procedimentos NBR 8419 São Paulo.ABGE. Seminários sobre resíduos sólidos. São Paulo Associação Brasileira de geologia e de Engenharia.149p.
CALDERONI, Sabetai. Os bilhões perdidos no lixo. 3. ed. São Paulo: Humanitas, 1999.
LINHARES et. all. Sérgio. Biologia série brasil. Volume único. 1ª ed. São Paulo: Ática, 2005.
OLIVEIRA, David Américo Fortuna. Estabilidade de taludes maciços de resíduos sólidos urbanos. 2002. 154f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) ? Universidade de Brasília, Brasília, 2002.
LIMA. L.M.Q tratamento de lixo São Paulo: ed. Hemus 240p. (s.d)
BIAVA, Thiago Maravino, contribuição a construçõ do aterro sanitario do CISURES a remediação e o encerramento do atual lixão de Urussanga-SC (trabalho de conclusão de curso de eng. Ambiental. Universidade do extremo sul catarinense).


 





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